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:: Sucesso Vale a Pena? ::
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A inesquecível marchinha do carnaval carioca "chora doutor chora porque o medo de ficar pobre lhe apavora..." expressa de maneira eloqüente o pavor, muitas vezes até exagerado e sem fundamento, do cidadão bem sucedido na vida de sofrer um revés social e perder status e situação econômica confortável. Muitos filmes de bangue-bangue americanos protagonizam também sentimentos de mesma natureza representados pelos mocinhos pistoleiros. Após conquistarem fama em todo o oeste, passam a ter que duelar com pistoleiros de toda sorte que desejam arrebatar pela sua morte o prestígio de valentão.
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A mão treme, o coração dispara, adversários medíocres agigantam-se diante do confronto inevitável. O copo de whisky puro, cowboy é a fuga de alguém que, no fundo, só pensa em fugir de si próprio, da fama adquirida por muitos confrontos que lhe davam tanto prazer. Os modernos paparazzi, algozes inclementes dos astros e estrelas do jet set internacional, contextualizam comportamento análogo de fuga do que se procurou e, com dificuldade, se encontrou: a fama desejada se transforma num inferno.
Essas ilustrações configuram situações vividas por muitos executivos (CEO's) de alto prestígio no mundo dos negócios. Sem quaisquer razões aparentes começam a duvidar, de repente, de suas próprias capacidades. Apesar de uma biografia repleta de realizações e vitórias, atribuem todo o êxito alcançado a fatores fortuitos como sorte, empenho, ajuda de alguém, conjuntura favorável, simpatia pessoal, charme, mas jamais à sua competência gerencial e habilidades de liderança. Passam a questionar tudo o que vêm fazendo na vida, do trabalho à família, do clube aos amigos, da razão-de-ser de cada atividade da qual participava.
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Em casos mais graves, julga que o sucesso obtido é muito superior às suas reais qualidades, que a qualquer momento todos vão descobrir suas fraquezas e limitações, tão bem escondidas por tanto tempo. Serão desmascarados como na peça "O rei está nu".
Chegam ao topo da organização, festejados por todos, mas se perguntam: e agora José? Valeu a pena?
Às vezes a conquista da posição almejada é o beijo da morte da motivação, do interesse, da energia e da necessidade de realizar dos executivos. Não há mais por que lutar. A consagração do sucesso lhe traz frustração, melancolia, desalento. E os que não conseguem estabelecer novos desafios e objetivos para a sua vida, normalmente mergulham na mais profunda desesperança, depressão mesmo, com inacreditável perda de qualidade de vida.
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Nessa busca por novos caminhos é comum deparar-se com executivos que se dedicam apaixonadamente a atividades associativas ou de benemerência, bem menos expressivas das que realiza em sua organização, mas para as quais alocam cada vez maior esforço e tempo pessoal. Já outros se dedicam a atividades mais esdrúxulas, como esportes radicais, jogos de azar, excesso de bebidas ou vivenciam de forma compulsiva a síndrome de D. Juan.
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É evidente que desencontros conjugais freqüentemente integram esse processo de questionamento, com reflexos inevitáveis na estabilidade familiar e no desempenho no trabalho. Divórcios tumultuados e casamentos extravagantes também costumam ocorrer, às vezes com mudanças estranhas nos hábitos pessoais de vestir, grupos de amigos, locais freqüentados, atividades sociais e interesses em geral.
Como tais situações são tratadas no mundo das organizações? Como o executivo se comporta em resposta à questão se o sucesso valeu a pena? As repercussões pessoais e organizacionais vão variar do desenvolvimento e progresso à obsolescência e decadência.
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Nem sempre as organizações estão devidamente equipadas para se anteciparem ou intervirem em tais casos. Precisam aprender a fazê-lo incontinente. Não podem se permitir até degradar os seus mais valiosos recursos: os líderes. O comportamento deles tem impacto decisivo na cultura de toda a organização e, por efeito-demonstração, tendem a ser imitados.
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